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Relação entre marcas de roupas e músicos




A marca de roupas Reserva tentou tirar o clipe da música Deu Onda, de MC G 15 do ar. Nele, o cantor aparece vestindo uma camiseta da grife, que tenta multá-lo em R$ 10 mil.

A decisão da empresa é uma retaliação ao cantor, que em janeiro pediu para que peças com trechos do hit Deu Onda parassem de ser vedidas em lojas por não terem autorização de comercialização.

Segundo a Reserva, o uso da peça supostamente deprecia a marca, porque, para eles, o funk se relaciona com condutas violentas e objetificação da mulher. A juíza do caso não acatou o pedido e disse que ele não comporta o menor acolhimento.

MC G 15 – Deu Onda

Mas a Reserva não está só. Não é a primeira vez que marcas não querem ser associadas a estilos musicais urbanos como rap e funk.

No surgimento do rap, os artistas que se apropriaram de grandes grifes como Gucci e Armani sofreram perseguição semelhante.

O documentário Fresh Dressed, disponível na Netflix, aborda como as grifes sempre foram um objeto de desejo de quem faz música nos guetos.

Ainda nos anos 80, rappers deixaram de lado os conjuntos esportivos alguns números maiores que eles para começar a se vestir com grifes. Mas não com as peças tradicionais das marcas famosas.

Dapper Dan, um alfaiate do Harlem, em Nova York, adaptou peças de Louis Vuitton, Fendi e outras marcas em cortes e modelos que fossem aceitos pelos moradores locais e artistas de rap.

O documentário Fresh Dressed

A ideia foi bem-recebida pelos emergentes músicos da época, que começaram a se destacar e aparecer com os logotipos dessas grifes em shows, fotos de divulgação, premiações e entrevistas de TV. Entre os clientes estavam Mike Tyson, o rapper LL Cool J e o duo de hip-hop Eric B. e Rakim.

Mas como as peças eram produzidas e modificadas sem a autorização das marcas, Dan foi processado e precisou fechar a loja, a Dapper Dan’s Boutique, localizada na 125th street, e que ficou ativa entre 1982 e 1992. Hoje, é estilista requisitado para criar peças para essas mesmas marcas.

Esse episódio não foi impedimento para que a moda hip hop crescesse nos anos 90 nem as grifes continuassem a ser usadas pelos rappers. Elas também seguiam se inspirando no estilo de se vestir dos músicos do estilo em coleções de moda, fechando um ciclo de retroalimentação que não foi mais interrompido.

A união de moda e música nunca foi tão forte antes do rap surgir. Os artistas também passaram a investir em marcas próprias. Aqui no Brasil, o maior expoente é Emicida, com a LAB, que já está até inserida nos desfiles da São Paulo Fashion Week.

O que a elite pensa sobre emergentes (Fonte: Data Popular)
  • 1.

    Produtos deveriam ter versões para ricos e para pobres (55%)

  • 2.

    Prefiro ambientes com pessoas do meu nível social (50%)

  • 3.

    Pessoas mal vestidas deveriam ser barradas em certos lugares (17%)

Sonho de Consumo

Essa separação de rap, funk e marcas que são sonho de consumo é algo que nem a Reserva nem marcas maiores e mais importantes historicamente conseguem fazer. A ostentação é algo inerente aos estilos urbanos feitos principalmente por jovens da periferia.

Para ter uma ideia, a loja de fast fashion Macys encomendou uma pesquisa para saber quais eram as marcas mais citadas nas letras de hip hop. E a surpresa é que a maioria da lista é composta por grifes que historicamente estão ligadas às classes sociais mais abastadas.

A Gucci aparece em mais de mil música e lidera o ranking. A Nike, a Adidas e a Timberland são as únicas três empresas que não entram nesse perfil. Nas demais posições, Fendi, Dolce e Gabbana, Prada, Versace, Fendi e Louis Vuitton brilham em citações de centenas de sucessos do rap. A obsessão pelo assunto é tão grande que alguns vão além: Soulja Boy até tatuou o símbolo da casa italiana Gucci na testa.

E no funk não é muito diferente. Bebidas que custam centenas de reais, camisetas polo de marcas como La Coste, óculos da Oakley e carrões inacessíveis para quem não é empresário ou artista bem-sucedido, são promovidos gratuitamente em quase todos os clipes.

Marcas mais citadas em letras de hip hop (Fonte: Macys)
  • 1.

    Gucci: 1067 músicas

  • 2.

    Nike: 687 músicas

  • 3.

    Prada: 431 músicas

  • 4.

    Versace: 354 músicas

  • 5.

    Adidas: 287 músicas

  • 6.

    Timberland: 248 músicas

  • 7.

    Louis Vuitton: 229 músicas

  • 8.

    Dolce & Gabbana: 179 músicas

  • 9.

    Armani: 169 músicas

  • 10.

    Fendi: 155 músicas

No entanto, não são todas as marcas que estão dispostas a dialogar com esses artistas e públicos. Em 2007, Jay Z e a marca de champanhe Cristal (com garrafas que custam até R$ 1 mil) romperam após o diretor da marca Frederic Rouzaud dar uma entrevista à revista The Economist dizendo não estar interessado na divulgação que o rapper fazia da bebida em suas letras.

A questão é que Jay Z também é um empresário e comercializava o champanhe em suas casas noturnas, onde rappers amigos dele e frequentadores a chamavam carinhosamente de “Crissy”.

Jay Z não gostou da postura da marca e a boicotou a partir de então. A Cristal respondeu, desqualificando o músico, um dos maiores milionários dos Estados Unidos: “Para certas marcas, poder comprar um produto não é suficiente para que uma pessoa se torne o cliente preferido da empresa”.

De olho nesse rompimento, a Armand de Brignac firmou uma parceria com o magnata do rap para que ele passasse a tomar a bebida, que é do tipo prestige curvée (selo de qualidade máxima). Scott Cohen, diretor de marketing da Armand, ao contrário do rival, disse que “Jay-Z foi um grande entusiasta da marca e nos fez um tremendo favor” ao aparecer com uma garrafa deles no clipe de Show Me What You Got.

Jay Z brindando com Armand de Brignac

Já a Burberry chegou a recusar ceder roupas para que Ja Rule usasse em um editorial de moda. Anos depois, a marca mudou completamente de ideia e hoje presenteia músicos do estilo com criações exclusivas.

O caso levantou discussões sobre democratização de consumo e exclusividade das marcas. O maior receio de algumas empresas é se popularizar demais e deixar de ser um objeto de desejo reservado para poucos.

Segundo uma pesquisa lançada pelo Instituto Data Popular, 55% da elite brasileira acredita que os produtos deveriam ter versões feitas especialmente para ricos e para pobres. Mas essa ruptura parece persistir com mais força apenas por aqui.

Nos Estados Unidos, berço do hip hop, as marcas só têm a agradecer a aproximação com o estilo mais ouvido do País na atualidade. O movimento batizado de “ghetto fabulous” alavanca não só venda de roupas, como também de carros, acessórios e bebidas no País.

No Brasil, esse movimento ainda é tímido. Só agora os funkeiros começaram a usar grifes e deixar um pouco de lado o visual chavoso ou swag. No entanto, marcas conhecidas ainda não estão completamente focadas nessa ascensão do funk como estilo urbano mais ouvido do Brasil, o que pode abrir espaço para outras grifes criadas por pessoas envolvidas com movimentos de músicas vinda do gueto, como a grife Lab, de Emicida.

Fonte: Portal Moda e Estilo




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